Um amigo do vale do Danúbio — Johannes Maringer, do Wagram
Vindimado à mão, marcado pela família, cheio de carácter. Grüner Veltliner, Weißburgunder — e um verjus que reinventa o verão.
Às vezes uma amizade começa com alguém a entrar pela porta. Pouco depois de abrirmos, o Johannes Maringer apareceu no bar e perguntou se queríamos provar o vinho dele. Queríamos. Daí nasceu uma colaboração — e uma amizade.
Ottenthal, no Wagram — loesse, luz e vento do Danúbio
Quem já percorreu as colinas suaves de loesse do Wagram sabe: esta paisagem tem um sossego só seu. Vinha a perder de vista, cortada por pequenas ruas de adegas e por quintas que não mudam de mãos há cinco gerações. Ottenthal, uma aldeia vinhateira tranquila perto de Kirchberg am Wagram, é um desses sítios.
É aqui que Johannes Maringer conduz desde 2010 a quinta da família — já na quarta geração. Cresceu entre as filas de videiras, formou-se na escola de viticultura de Klosterneuburg e regressou com a ambição de continuar o ofício do tio Willibald e, ao mesmo tempo, pensar em frente. Vindima manual seleccionada, o tratamento mais suave possível na adega e, desde a colheita de 2024, todas as parcelas com certificação biológica — não é uma promessa de marketing, é o dia-a-dia do Johannes.
„Aus Freude am Genuss" — pelo prazer de saborear. Estas palavras não estão numa placa por cima da porta. São a atitude com que aqui se faz vinho.
O solo de loesse do Wagram é o coração de tudo. Profundo, calcário, capaz de guardar o calor — dá aos vinhos corpo e aquela textura cremosa que não se encontra bem assim em mais lado nenhum. A isso junta-se o clima com influência do Danúbio: dias quentes, noites frescas, vento q.b. Condições ideais para Grüner Veltliner e Weißburgunder.
Duas castas que servimos na casa da Liane
O original austríaco, amadurecido em solo de loesse até à sua melhor forma. Encorpado, especiado, com o típico toque de pimenta no final — e aquela mineralidade terrosa que só se conhece do Wagram.
O irmão elegante do Grauburgunder, no Wagram dotado de uma suculência especial. Estrutura de acidez fina, notas de fruta delicadas — um vinho para boa conversa, e ainda melhor para uma noite amena.
Ambos os vinhos trazem a assinatura do Johannes: fiéis à casta, sem floreados, com a coragem de irem direitos ao assunto. Vinhos que não precisam de explicar o que são — porque isso sente-se logo ao primeiro gole.
Tudo o que temos do Maringer
Acabaram por ser mais referências do que se pensava — do Grüner Veltliner a copo à Große Reserve, mais rosé, frizzante e o sumo de uva. O que está aberto no momento, diz-vos a Liane ao balcão.
⅛ significa que servimos esse vinho a copo. 0,75 l significa que trazemos com gosto uma garrafa inteira.
O verjus do Johannes — a bebida de verão que ainda não conhece
A Liane não trouxe só os vinhos do Johannes — pôs também o verjus dele na carta. E quem pergunta o que é aquilo recebe dela uma resposta que abre o apetite.
O que é o verjus? O nome vem do francês: vert jus — sumo verde. É o sumo de uvas colhidas verdes, que ainda não formaram açúcar. O resultado é um produto natural totalmente sem álcool, com uma acidez frutada e agradavelmente suave — mais fina do que sumo de limão, mais elegante do que vinagre, com um aroma próprio que faz lembrar as manhãs do início do outono. Sem aditivos, sem açúcar, sem conservantes. Só uva.
O verjus tem uma longa história — na Idade Média, com o nome de agrest, era natural em quase todas as cozinhas e em todas as mesas. Depois caiu no esquecimento. Hoje, produtores, cozinheiros e apreciadores estão a redescobri-lo — e percebemos porquê.
Verjus com água com gás — é a nossa sugestão para o verão. Servido sobre gelo, um raminho de hortelã e está feito. Refrescante, complexo, sem álcool. Sabe a uma sangria branca que não tem nada a provar.
Para quem não quer beber álcool ou simplesmente lhe apetece algo especial: o verjus do Johannes é a nossa prova de que „sem álcool" e „aborrecido" são duas coisas diferentes.
Porquê o Johannes Maringer aqui em casa?
Porque veio ele próprio. Não um comercial, não um catálogo — o produtor, com as garrafas debaixo do braço. Provámos, e o que estava no copo decidiu sozinho. Daquela primeira visita nasceu mais do que uma decisão de compra: uma parceria entre duas casas com os mesmos valores — trabalho manual, honestidade e a convicção de que a qualidade começa na vinha.
O Johannes é um daqueles produtores de quem se gosta logo: com os pés na terra, bem-disposto, de alma e coração no que faz. A sua rede estende-se por toda a Áustria, o seu saber sobre vinho é profundo — e mesmo assim continua curioso, anda sempre a melhorar as vinhas, ouve os clientes. São exactamente estas as pessoas que queremos saber por trás dos vinhos da nossa carta.
Apareçam, deixem-se servir pela Liane — e perguntem à vontade pelo verjus. Contamos com gosto o resto da história.







